{"id":5231,"date":"2018-11-02T18:36:16","date_gmt":"2018-11-02T18:36:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.entogreen.com\/?p=5231"},"modified":"2021-03-23T18:39:03","modified_gmt":"2021-03-23T18:39:03","slug":"artigo-veterinaria-atual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.entogreen.com\/?p=5231","title":{"rendered":"Artigo Veterin\u00e1ria Atual"},"content":{"rendered":"<header class=\"entry-header\">\n<h1 class=\"entry-title\">2020 \u00e9 o horizonte para produzir insetos em larga escala<\/h1>\n<div class=\"entry-meta\">\n<div class=\"autor\">Texto: Em\u00edlia Freire l Fotografia: Nuno Fox<\/div>\n<div class=\"meta-item date\"><span class=\"updated\">2 Novembro, 2018<\/span><\/div>\n<div class=\"print\"><\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"meta-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"attachment-vce-lay-a size-vce-lay-a wp-post-image\" src=\"https:\/\/www.veterinaria-atual.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2018\/11\/Daniel-Murta-Entogreen-810x320.jpg.webp\" sizes=\"auto, (max-width: 810px) 100vw, 810px\" srcset=\"https:\/\/www.veterinaria-atual.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2018\/11\/Daniel-Murta-Entogreen-810x320.jpg.webp 810w, https:\/\/www.veterinaria-atual.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2018\/11\/Daniel-Murta-Entogreen-300x118.jpg.webp 300w, https:\/\/www.veterinaria-atual.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2018\/11\/Daniel-Murta-Entogreen-768x303.jpg.webp 768w, https:\/\/www.veterinaria-atual.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2018\/11\/Daniel-Murta-Entogreen-1024x404.jpg.webp 1024w, https:\/\/www.veterinaria-atual.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2018\/11\/Daniel-Murta-Entogreen-1140x450.jpg.webp 1140w, https:\/\/www.veterinaria-atual.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2018\/11\/Daniel-Murta-Entogreen.jpg.webp 1550w\" alt=\"2020 \u00e9 o horizonte para produzir insetos em larga escala\" width=\"810\" height=\"320\" \/><\/div>\n<div class=\"entry-content\">\n<h5>O foco \u00e9 produzir insetos \u2013 Mosca Soldado Negro \u2013 para a produ\u00e7\u00e3o de prote\u00edna e \u00f3leo de inseto, bem como fertilizante org\u00e2nico. At\u00e9 agora est\u00e1 tudo em fase de testes, para que possa ser instalada uma unidade de produ\u00e7\u00e3o em larga escala. Estivemos \u00e0 conversa com Daniel Murta, da EntoGreen, que explicou como os derivados proteicos de inseto j\u00e1 podem ser incorporados nas ra\u00e7\u00f5es para animais aqu\u00e1ticos.<\/h5>\n<p><strong>Como surgiu a ideia de criar a EntoGreen?<\/strong><\/p>\n<p>A ideia da EntoGreen come\u00e7ou quando ainda estava a fazer o doutoramento, depois da licenciatura em Medicina Veterin\u00e1ria, numa \u00e1rea que nada tem a ver com insetos \u2013 reprodu\u00e7\u00e3o de mam\u00edferos, nomeadamente ratinhos transg\u00e9nicos \u2013 mas uma coisa que o doutoramento faz \u00e9 dar-nos uma melhor vis\u00e3o sobre os desafios. Em 2011 encontrei uma\u00a0<em>TED Talk<\/em>\u00a0que questionava: \u201c<em>Why not eat insects<\/em>?\u201d E comecei a questionar-me porque n\u00e3o usar insetos como uma fonte nutricional para humanos e animais?<\/p>\n<p>Inicialmente decidi focar-me nos humanos, comecei a trabalhar com o meu irm\u00e3o, com\u00a0<em>Tenebrio molitor<\/em>, uma esp\u00e9cie de inseto, com o objetivo de produzir uma fonte nutricional alternativa, ainda de forma limitada porque estava a terminar o doutoramento. Quando terminei, em 2014, avancei com a cria\u00e7\u00e3o da EntoGreen com o objetivo da alimenta\u00e7\u00e3o humana, mas j\u00e1 com a ideia de passar tamb\u00e9m para a alimenta\u00e7\u00e3o animal. Em meados de 2015 conheci o Rui Nunes [cofundador], atrav\u00e9s do INIAV [Instituto Nacional de Investiga\u00e7\u00e3o Agr\u00e1ria e Veterin\u00e1ria], porque j\u00e1 vinha a trabalhar com eles h\u00e1 algum tempo, e a partir desses contactos surgiram novas ideias, nomeadamente a utiliza\u00e7\u00e3o da Mosca Soldado Negro (<em>Black Soldier Fly<\/em>) e dedicarmo-nos exclusivamente \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o animal, valorizando subprodutos vegetais e reintroduzindo-os na cadeia de valor, como fonte proteica para animais.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Mas j\u00e1 est\u00e3o a produzir?<\/strong><\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o. Nos \u00faltimos anos, o nosso objetivo foi criar bases s\u00f3lidas para a produ\u00e7\u00e3o intensiva de insetos em larga escala, sendo a Investiga\u00e7\u00e3o &amp; Desenvolvimento a base da g\u00e9nese da nossa empresa. Sediment\u00e1mos muito o nosso desenvolvimento em parcerias estrat\u00e9gicas com centros de investiga\u00e7\u00e3o, sendo a principal parceria com o INIAV, mas tamb\u00e9m com o IPIMAR [Instituto de Investiga\u00e7\u00e3o das Pescas e do Mar] e o CIIMAR [Centro Interdisciplinar de Investiga\u00e7\u00e3o Marinha e Ambiental], entre outros, com duas premissas principais: economia circular no centro da a\u00e7\u00e3o e a realiza\u00e7\u00e3o de testes de qualidade e seguran\u00e7a em todos os produtos que fomos gerando.<\/p>\n<p><strong>Tamb\u00e9m t\u00eam parcerias com outros agentes do setor, n\u00e3o \u00e9?<\/strong><\/p>\n<p>Sim, temos parcerias n\u00e3o s\u00f3 com a \u00e1rea m\u00e9dico-veterin\u00e1ria \u2013 porque tamb\u00e9m fa\u00e7o parte da dire\u00e7\u00e3o da Sociedade Portuguesa de Ci\u00eancias Veterin\u00e1rias e isso abriu-nos muitas portas \u2013 mas tamb\u00e9m estabelecemos parcerias com outras associa\u00e7\u00f5es setoriais como a IACA [Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa das Ind\u00fastrias de Alimentos Compostos para Animais] e a FPAS [Federa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Associa\u00e7\u00f5es de Suinicultores] que nos permitiram ter acesso aos principais\u00a0<em>stakeholders<\/em>\u00a0do setor e fazer testes.<\/p>\n<p><strong>Est\u00e3o j\u00e1 a fazer testes com su\u00ednos?<\/strong><\/p>\n<p>Com su\u00ednos ainda n\u00e3o, embora haja disponibilidade para isso, mas estamos a fazer com aves e com peixes. Tamb\u00e9m por uma quest\u00e3o legal porque j\u00e1 \u00e9 permitido para peixes [incluir fontes nutricionais origin\u00e1rias de insetos] mas h\u00e1 uma perspetiva muito grande de que a partir do pr\u00f3ximo ano seja tamb\u00e9m permitido para aves. Portanto a nossa aposta passou pelos peixes e pelas aves, mas nesta altura n\u00e3o temos ainda capacidade de produzir nada. Temos uma unidade-piloto na Esta\u00e7\u00e3o Zoot\u00e9cnica, em Santar\u00e9m, de escala semi-industrial e que n\u00e3o tem capacidade de produ\u00e7\u00e3o de mercado. Temos uma escala de produ\u00e7\u00e3o para testes e estamos a fazer os ensaios t\u00e9cnicos \u2013 prova de conceito \u2013 que nos permitem validar os nossos conhecimentos e passar para a fase seguinte, que \u00e9 a industrializa\u00e7\u00e3o do processo, com automa\u00e7\u00e3o\u2026 ou seja, criar uma f\u00e1brica de escala completa.<\/p>\n<p><strong>Portanto ser\u00e3o voc\u00eas tamb\u00e9m a fazer essa produ\u00e7\u00e3o em larga escala?<\/strong><\/p>\n<p>Sim, estamos \u00e0 procura de investimento e estamos j\u00e1 a trabalhar com fundos de investimento, mas principalmente empresas\u2026<\/p>\n<p><strong>Capital de risco?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o, empresas que j\u00e1 t\u00eam os seus canais montados, ou seja, que t\u00eam n\u00e3o s\u00f3 dinheiro, mas tamb\u00e9m conhecimento nas \u00e1reas-chave onde queremos entrar, quer a montante, como a jusante do processo. A montante refiro-me ao fornecimento de subprodutos e a jusante ao fornecimento de mat\u00e9rias-primas para a elabora\u00e7\u00e3o de ra\u00e7\u00f5es para animais. \u00c9 o que se chama na g\u00edria das startups o\u00a0<em>smart money<\/em>: n\u00e3o vem s\u00f3 dinheiro, mas conhecimento e canais.<\/p>\n<p><strong>Qual \u00e9 o vosso horizonte para come\u00e7ar a comercializar produto?<\/strong><\/p>\n<p>Em 2020, em larga escala, porque dependemos da constru\u00e7\u00e3o de uma f\u00e1brica que tem capacidade de converter 3.000 toneladas de subprodutos vegetais por m\u00eas e ser\u00e1 capaz de produzir cerca de 220 toneladas de prote\u00edna de inseto por m\u00eas, em torno de 50 toneladas de \u00f3leo de inseto e 750 toneladas de fertilizante org\u00e2nico. Isto s\u00e3o os volumes que consideramos m\u00ednimos para sermos capazes de entrar no mercado de forma competitiva, criar \u2018tra\u00e7\u00e3o\u2019 e de manter os clientes a receberem produto de forma continuada. Porque uma f\u00e1brica n\u00e3o pode alterar a sua f\u00f3rmula de ra\u00e7\u00e3o sempre que tem ou n\u00e3o tem insetos, tem de haver uma garantia de fornecimento.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 interesse do lado dos produtores de ra\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Sim porque o que est\u00e1 na base desta procura de fontes alternativas deriva do facto de n\u00e3o existirem fontes nutricionais em quantidade dispon\u00edveis na Europa. Somos deficit\u00e1rios em fontes proteicas: importamos mais de 90% de toda a soja e tamb\u00e9m n\u00e3o conseguimos produzir, de longe, a farinha de peixe de que necessitamos, dependendo assim do sudoeste asi\u00e1tico e do continente americano. Por isso, a ideia \u00e9 arranjar fontes alternativas nutricionais alternativas, principalmente de prote\u00edna, que sejam produzidas de uma forma circular, ou seja, respeitando os recursos ambientais que est\u00e3o a ser utilizados e dando uma \u2018nova vida\u2019 aos subprodutos, que de outra forma se perderiam.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso estamos a criar fontes nutricionais locais, evitando a importa\u00e7\u00e3o e as emiss\u00f5es de CO2 decorrentes do transporte a ela associado. E est\u00e1 a ser visto com muito interesse porque \u00e9 uma prote\u00edna de elevada qualidade, altamente diger\u00edvel e tamb\u00e9m com um conjunto de amino\u00e1cidos muito importante, mas tem sempre de ser comparada com fontes nutricionais existentes, como o baga\u00e7o de soja e a farinha de peixe\u2026<\/p>\n<p><strong>Est\u00e1 a falar em termos de qualidade, mas tamb\u00e9m de pre\u00e7o\u2026<\/strong><\/p>\n<p>Exato, atualmente o pre\u00e7o do concentrado proteico de inseto ainda \u00e9 muito elevado e n\u00e3o \u00e9 competitivo com as outras fontes proteicas. No entanto, a perspetiva de futuro \u00e9 que este pre\u00e7o des\u00e7a e se torne competitivo com a farinha de peixe, que \u00e9 o seu principal competidor, a n\u00edvel de qualidade e de equil\u00edbrio nutricional. O que tem balizado a nossa perspetiva de pre\u00e7o no futuro \u00e9 o pre\u00e7o da farinha de peixe de elevada qualidade.<\/p>\n<p><strong>Com a produ\u00e7\u00e3o em larga escala o pre\u00e7o ir\u00e1 descer. \u00c9 isso?<\/strong><\/p>\n<p>O pre\u00e7o desce se a tecnologia acompanhar esse desenvolvimento. O desafio \u00e9 que n\u00e3o existe outra f\u00e1brica desta escala em Portugal, haver\u00e1 uma na \u00c1frica do Sul e h\u00e1 planos para a constru\u00e7\u00e3o de mais algumas, mas ainda n\u00e3o passam disso. Todas as outras que existem s\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o em pequena escala. Por isso, n\u00e3o h\u00e1 planos, nem equipamentos espec\u00edficos para este fim, n\u00e3o os podemos \u2018copiar\u2019, pelo que temos de adaptar tecnologias de outros setores e aprender as li\u00e7\u00f5es de d\u00e9cadas de investiga\u00e7\u00e3o noutras \u00e1reas e tentar aplic\u00e1-las a esta \u00e1rea emergente.<\/p>\n<p><strong>Mas na \u00c1sia, por exemplo, produz-se para alimenta\u00e7\u00e3o humana. N\u00e3o \u00e9?<\/strong><\/p>\n<p>Claro, mas estamos a falar de produ\u00e7\u00f5es pequenas. Para alimenta\u00e7\u00e3o humana produzir uma a duas toneladas por m\u00eas \u00e9 fant\u00e1stico, porque estamos a falar de produtos que s\u00e3o consumidos em pequena escala, porque s\u00e3o considerados iguarias e n\u00e3o s\u00e3o produzidos \u00e0 escala de um frango. N\u00f3s j\u00e1 temos capacidade de produzir cerca de uma tonelada por m\u00eas, mas para alimenta\u00e7\u00e3o animal n\u00e3o conseguiremos vender nada a ningu\u00e9m se n\u00e3o conseguirmos no m\u00ednimo produzir 22 a 30 toneladas de insetos processados por m\u00eas, o que implica 500 toneladas de insetos vivos cada m\u00eas, para podermos processar e obtermos os resultados de que fal\u00e1mos h\u00e1 pouco. Estamos a falar em grande escala e na cria\u00e7\u00e3o de cerca de 60 postos de trabalho.<\/p>\n<p><strong>A EntoGreen come\u00e7ou com a ideia e produzir insetos para alimenta\u00e7\u00e3o humana, que podiam produzir em pequena escala. Porque desistiram?<\/strong><\/p>\n<p>Por dois motivos: primeiro a aceitabilidade \u2013 n\u00e3o \u00e9 facilmente aceite na cultura ocidental e o segundo \u00e9 a escala e o mercado. Ser\u00e1 sempre um mercado de nicho, por muito sucesso que tenha. Por exemplo, h\u00e1 30 anos ningu\u00e9m pensaria comer peixe cru e hoje grande parte da popula\u00e7\u00e3o gosta, de vez em quando, de comer sushi. Mas qual \u00e9 de facto a express\u00e3o do sushi na alimenta\u00e7\u00e3o? Mas, se calhar, comer frango assado continua a ser\u00a0<em>mainstream<\/em>.<\/p>\n<p>N\u00e3o acredito, por muito papel que os insetos venham a ter, que no curto ou m\u00e9dio prazo tenham um revelo significativo que atraia o volume de neg\u00f3cios que n\u00f3s procuramos. Na alimenta\u00e7\u00e3o humana os insetos ser\u00e3o mais uma fonte, enquanto na alimenta\u00e7\u00e3o animal podemos contribuir para uma solu\u00e7\u00e3o efetiva para o d\u00e9fice europeu de fontes proteicas locais.<\/p>\n<p><strong>Mas se os peixes, as aves e os porcos \u2013 que tamb\u00e9m est\u00e3o neste horizonte \u2013 comerem ra\u00e7\u00f5es com prote\u00edna de inseto as pessoas v\u00e3o acabar por com\u00ea-la\u2026<\/strong><\/p>\n<p>Claro, por isso dizemos que \u00e9 claramente uma quest\u00e3o cultural, porque muitas vezes os insetos est\u00e3o associados a pragas e doen\u00e7as, mas estes insetos que s\u00e3o autorizados pela Comiss\u00e3o Europeia para serem produzidos n\u00e3o s\u00e3o pragas, nem doen\u00e7as, nem vetores de doen\u00e7as. Estamos a produzir insetos que cumprem regras de higiene e seguran\u00e7a alimentar para que possam ser introduzidos em ra\u00e7\u00f5es para animais. Al\u00e9m disso respeitam princ\u00edpios de economia circular e de sustentabilidade ambiental e s\u00e3o produzidos localmente. Por isso t\u00eam vantagens ambientais e de sustentabilidade e a forma de comunica\u00e7\u00e3o em vez de \u2018estas galinhas comeram insetos\u2019 ter\u00e1 de passar por algo como \u2018estas galinhas foram produzidas de forma mais sustent\u00e1vel\u2019.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.veterinaria-atual.pt\/destaques\/2020-e-o-horizonte-para-produzir-insetos-em-larga-escala\/attachment\/daniel-murta-entogreen-veterinaria-atual-2\/\" rel=\"attachment wp-att-28139\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-28139\" src=\"https:\/\/www.veterinaria-atual.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2018\/11\/Daniel-Murta-Entogreen-Veterin%C3%A1ria-Atual-1.jpg.webp\" sizes=\"auto, (max-width: 470px) 100vw, 470px\" srcset=\"https:\/\/www.veterinaria-atual.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2018\/11\/Daniel-Murta-Entogreen-Veterin\u00e1ria-Atual-1.jpg.webp 470w, https:\/\/www.veterinaria-atual.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2018\/11\/Daniel-Murta-Entogreen-Veterin\u00e1ria-Atual-1-200x300.jpg.webp 200w\" alt=\"2020 \u00e9 o horizonte para produzir insetos em larga escala\" width=\"470\" height=\"705\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>E em\u00a0<em>petfood<\/em>, onde nunca foi proibido usar fontes proteicas derivadas de insetos, existem marcas a introduzir essas prote\u00ednas? Porque \u00e9 que a EntoGreen n\u00e3o apostou nessa \u00e1rea?<\/strong><\/p>\n<p>Existem v\u00e1rias marcas a introduzir prote\u00ednas derivadas de insetos em\u00a0<em>petfood<\/em>, nomeadamente na Holanda e na Su\u00ed\u00e7a, principalmente para animais que precisem de fontes proteicas hipoalerg\u00e9nicas e est\u00e3o a ter boa aceita\u00e7\u00e3o por pessoas que tenham princ\u00edpios de consci\u00eancia ambiental. N\u00e3o apost\u00e1mos nesta \u00e1rea por uma quest\u00e3o de mercado. Apost\u00e1mos no mercado das ra\u00e7\u00f5es de pecu\u00e1ria e nas de aves, que s\u00e3o as que temos em vista, mas as ra\u00e7\u00f5es para\u00a0<em>pet<\/em>\u00a0est\u00e3o perfeitamente dentro do \u00e2mbito da nossa empresa. Esta \u00e1rea sempre teve outras fontes proteicas dispon\u00edveis e a pre\u00e7os muito acess\u00edveis.<\/p>\n<p><strong>Do ponto de vista veterin\u00e1rio quais s\u00e3o os principais problemas e desafios, por um lado, na produ\u00e7\u00e3o dos insetos e, por outro, depois na produ\u00e7\u00e3o dos produtos finais?<\/strong><\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o de insetos em larga escala tem de ser entendida como uma atividade pecu\u00e1ria como outra qualquer e h\u00e1 muitos pontos de contacto com outras intensivas, como a produ\u00e7\u00e3o av\u00edcola ou de su\u00ednos: regras de biosseguran\u00e7a, de produ\u00e7\u00e3o eficiente e de controlo de pragas s\u00e3o centrais.<\/p>\n<p><strong>Que tipo de pragas? Outros insetos?<\/strong><\/p>\n<p>Outros insetos, ratos e outros porque numa f\u00e1brica de insetos temos muitas larvas que os ratinhos e p\u00e1ssaros e outros animais gostam de comer, por isso temos de os controlar. Al\u00e9m de que temos igualmente de controlar quem entra para n\u00e3o transmitir doen\u00e7as. Por outro lado, do ponto de vista da higiene e seguran\u00e7a alimentar, temos de cumprir as regras que s\u00e3o aplicadas a qualquer ingrediente de ra\u00e7\u00e3o para animais, mas tamb\u00e9m temos de ter em aten\u00e7\u00e3o todo o processo de rastreabilidade, pelo que temos de saber de onde v\u00eam os nossos subprodutos e que tipo de insetos eles v\u00e3o gerar. Estamos a falar de subprodutos principalmente hort\u00edcolas e frut\u00edcolas, mas tamb\u00e9m outros como\u00a0<em>dresh<\/em>\u00a0[subproduto da cerveja] e farelos, entre outros.<\/p>\n<p><strong>V\u00e3o ter em considera\u00e7\u00e3o o tipo de fitof\u00e1rmacos que s\u00e3o utilizados nesses produtos?<\/strong><\/p>\n<p>Vamos ter considera\u00e7\u00e3o quem s\u00e3o os produtores e o lote de produ\u00e7\u00e3o a que est\u00e1 associado cada lote de subproduto. O que vamos fazer, respeitando as regras e as certifica\u00e7\u00f5es que existem para o efeito, s\u00e3o amostras bromatol\u00f3gicas para identifica\u00e7\u00e3o de metais pesados e outros agentes que possam estar presentes. E isto \u00e9 muito importante porque os metais pesados podem ser bioacumulados e, por outro lado, preocupamo-nos com os inseticidas utilizados.<\/p>\n<p><strong>Voltando \u00e0 vossa produ\u00e7\u00e3o, o processo de bio-convers\u00e3o que a EntoGreen utiliza d\u00e1 origem a v\u00e1rios produtos\u2026<\/strong><\/p>\n<p>Sim, haver\u00e1 tr\u00eas produtos: derivados de inseto \u2013 concentrado proteico e \u00f3leo, para incorporar em ra\u00e7\u00f5es para animais e fertilizante org\u00e2nico para a agricultura.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Porque \u00e9 que o \u00f3leo \u00e9 separado se tamb\u00e9m \u00e9 para nutri\u00e7\u00e3o animal?<\/strong><\/p>\n<p>Do ponto de vista da produ\u00e7\u00e3o de peixe [aquacultura] \u00e9 relativamente simples: porque a produ\u00e7\u00e3o de ra\u00e7\u00e3o para peixes precisa de um processo de extrus\u00e3o e a presen\u00e7a de n\u00edveis elevados de \u00f3leo impede essa extrus\u00e3o e depois \u00e9 que se faz uma capa com o \u00f3leo para dar mais palatibilidade, como acontece tamb\u00e9m nas ra\u00e7\u00f5es para animais de companhia, mas aqui tem a ver tamb\u00e9m com a flutuabilidade.<\/p>\n<p>No caso das outras ra\u00e7\u00f5es, do ponto de vista da formula\u00e7\u00e3o, para haver equil\u00edbrios entre energia e \u00e1cidos gordos adequados, em rela\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m com os amino\u00e1cidos: \u00e9 mais f\u00e1cil ter as duas componentes separadas, para formular. De momento tamb\u00e9m h\u00e1 no mercado farinha de peixe e \u00f3leo de peixe, por isso seguimos o que j\u00e1 existe.<\/p>\n<p><strong>J\u00e1 fizeram testes mesmo de introdu\u00e7\u00e3o dos vossos produtos nas ra\u00e7\u00f5es para animais?<\/strong><\/p>\n<p>Sim, e prov\u00e1mos que \u00e9 poss\u00edvel substituir totalmente a soja, quer na produ\u00e7\u00e3o de ovos, quer na de frangos. Ou seja, se o pre\u00e7o n\u00e3o for considerado, a produ\u00e7\u00e3o de aves n\u00e3o est\u00e1 ref\u00e9m das fontes de soja internacionais. Embora este n\u00e3o seja o objetivo, porque n\u00e3o \u00e9 com a soja que nos comparamos, nem em pre\u00e7o, nem em qualidade. Nem conseguir\u00edamos nunca produzir insetos em quantidade para substitui a quota de importa\u00e7\u00e3o da soja. Vamos sim contribuir para encontrar alternativas e reduzir essa importa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div class=\"mks_pullquote mks_pullquote_left\">\n<p><strong>O projeto EntoValor<\/strong><\/p>\n<p>O \u2018EntoValor \u2013 Insetos como uma oportunidade na valoriza\u00e7\u00e3o de res\u00edduos\u2019 \u00e9 um projeto em coprodu\u00e7\u00e3o, \u201cliderado pela EntoGreen, mas que envolve o INIAV, a Agromais, a Consulai e as Ra\u00e7\u00f5es Z\u00eazere, e no \u00e2mbito do qual fizemos ensaios com galinhas poedeiras e com frangos, mas tamb\u00e9m ensaios agr\u00edcolas, no solo\u201d, explica Daniel Murta. No INIAV, polo da Quinta da Fonte Boa em Santar\u00e9m, a EntoGreen realizou ensaios\u00a0<em>in vitro<\/em>\u00a0para ver a estabilidade das larvas e o seu equil\u00edbrio nutricional e tamb\u00e9m como esse equil\u00edbrio variava consoante os subprodutos utilizados, fornecidos pela Agromais.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao fertilizante org\u00e2nico produzido pelos insetos, por bio-convers\u00e3o, \u201cfizemos ensaios em campos de milho e batata e estamos a testar em alface e tomate em estufa e vasos, neste caso no INIAV de Oeiras e vamos agora come\u00e7ar com gram\u00edneas de corte\u201d, conta o respons\u00e1vel, adiantando que \u201co EntoValor foi a base da investiga\u00e7\u00e3o da nossa empresa. Nos \u00faltimos dois anos foi este projeto que nos ajudou a chegar onde estamos\u201d. O projeto est\u00e1 agora na fase final de divulga\u00e7\u00e3o de resultados e da prova de conceito. \u201cConsideramos que o projeto se diferencia de outros que h\u00e1 sobre insetos porque n\u00e3o nos limit\u00e1mos a testar a utiliza\u00e7\u00e3o dos insetos, fizemos uma prova de conceito sobre como \u00e9 produzir insetos, que tipo de t\u00e9cnicas \u00e9 que precisamos para o fazer e test\u00e1mos v\u00e1rias t\u00e9cnicas, mas tamb\u00e9m test\u00e1mos, de uma forma conceptual, como \u00e9 que seria poss\u00edvel criar uma empresa deste g\u00e9nero em Portugal\u201d. Daniel Murta refere ainda que \u201cno \u00e2mbito deste projeto \u00e9 que surgir o contacto com a DGAV [dire\u00e7\u00e3o-Geral de Alimenta\u00e7\u00e3o e Veterin\u00e1ria] e o convite para fazer o Manual\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"mks_pullquote mks_pullquote_left\">\n<p><strong>Manual de Boas Pr\u00e1ticas \u2013 Produ\u00e7\u00e3o, Processamento e Utiliza\u00e7\u00e3o de Insetos em Alimenta\u00e7\u00e3o Animal<\/strong><\/p>\n<p>\u201cEste manual foi um desafio lan\u00e7ado pelo Dr. Jos\u00e9 Manuel Costa, da DGAV, para tentarmos explicar o enquadramento legal da produ\u00e7\u00e3o de insetos\u201d, conta Daniel Murta. Mas o manual acabou por ir mais al\u00e9m porque n\u00e3o s\u00f3 explica todas as leias aplicadas \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de qualquer explora\u00e7\u00e3o pecu\u00e1ria, \u201cmas sobre o processamento, ou seja, que cuidados tem de haver e que m\u00e9todos t\u00eam de ser respeitados e por fim a sua utiliza\u00e7\u00e3o: para que fim podemos usar os insetos e como podem ser utilizados, nomeadamente em\u00a0<em>petfood<\/em> e animais aqu\u00e1ticos\u201d, que \u00e9 o que j\u00e1 \u00e9 permitido.<\/p>\n<\/div>\n<p>Link Artigo: https:\/\/www.veterinaria-atual.pt\/no-campo\/2020-e-o-horizonte-para-produzir-insetos-em-larga-escala\/<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>2020 \u00e9 o horizonte para produzir insetos em larga escala Texto: Em\u00edlia Freire l Fotografia: Nuno Fox 2 Novembro, 2018 O foco \u00e9 produzir insetos \u2013 Mosca Soldado Negro \u2013&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5233,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"inline_featured_image":false,"footnotes":""},"categories":[4,11],"tags":[],"class_list":["post-5231","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-noticias","category-publicacoes"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.entogreen.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5231","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.entogreen.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.entogreen.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.entogreen.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.entogreen.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=5231"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.entogreen.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5231\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5234,"href":"https:\/\/www.entogreen.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5231\/revisions\/5234"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.entogreen.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/5233"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.entogreen.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=5231"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.entogreen.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=5231"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.entogreen.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=5231"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}